Ex-chefe da NSO Shalev Hulio pede que governos desenvolvam sistemas soberanos de IA
Shalev Hulio, cofundador da NSO Group, criadora do Pegasus, alerta que a dependência de conglomerados de tecnologia norte-americanos representa riscos estratégicos e de segurança para Estados soberanos.
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Ex-chefe da NSO Shalev Hulio pede que governos desenvolvam sistemas soberanos de IA
Shalev Hulio, cofundador da NSO Group, criadora do Pegasus, alerta que a dependência de conglomerados de tecnologia norte-americanos representa riscos estratégicos e de segurança para Estados soberanos.
Este artigo foi traduzido automaticamente pela IA da nossa redação a partir do original em inglês. Ler em inglês

Shalev Hulio, cofundador e ex-diretor-executivo da empresa israelense de inteligência cibernética NSO Group, apelou aos governos nacionais de todo o mundo para que construam uma infraestrutura independente e soberana de inteligência artificial, em vez de continuarem dependentes de conglomerados de tecnologia dos Estados Unidos, de acordo com reportagem de Jean Leon.
Ao falar sobre a trajetória estratégica da computação avançada, Hulio argumentou que a segurança nacional, a prontidão de defesa e a autonomia administrativa exigem controle doméstico sobre modelos fundacionais e capacidade computacional. Sua intervenção traz uma das figuras mais reconhecidas e controversas da indústria de vigilância comercial para o debate em rápida expansão sobre a soberania tecnológica, em um momento em que governos da Europa, da Ásia e do Oriente Médio avaliam sua exposição aos monopólios norte-americanos de computação em nuvem.
## Principais fatos
- Shalev Hulio cofundou a NSO Group, desenvolvedora do pacote de spyware de nível militar Pegasus, em 2010 e deixou o cargo de diretor-executivo em agosto de 2022. - O alerta de Hulio insta administrações estrangeiras a priorizarem o desenvolvimento de inteligência artificial soberana para evitar a dependência estratégica de plataformas dominantes norte-americanas, como Microsoft, Alphabet, Amazon e OpenAI. - O Departamento de Comércio dos Estados Unidos incluiu a NSO Group em sua Entity List de restrição a exportações em novembro de 2021, citando evidências de que suas ferramentas permitiram que governos estrangeiros conduzissem repressão transnacional. - Após sua saída do comando da NSO Group, Hulio cofundou a startup de segurança cibernética Dream Security ao lado do ex-chanceler austríaco Sebastian Kurz, com foco em aplicações de inteligência artificial para infraestruturas críticas. - Várias nações, incluindo França, Japão, Emirados Árabes Unidos e Reino Unido, comprometeram bilhões de dólares em clusters de computação soberana e modelos fundacionais localizados.
## O que aconteceu
Em sua avaliação pública reportada por Jean Leon, Hulio caracterizou a inteligência artificial como um ativo soberano existencial, semelhante à arquitetura de defesa nacional, aparelhos de coleta de inteligência ou redes energéticas nacionais. Ele alertou que Estados soberanos que terceirizam suas principais arquiteturas de aprendizado de máquina, fluxos de treinamento e armazenamento de dados para corporações privadas estrangeiras correm o risco de renunciar à autodeterminação estratégica de longo prazo.
De acordo com a reportagem, a tese central de Hulio concentra-se na vulnerabilidade inerente a depender de grandes fornecedores de tecnologia dos Estados Unidos. Principais operadoras de nuvem de hiperescala e desenvolvedoras de modelos de fronteira — sediadas principalmente no Vale do Silício e em Seattle — controlam atualmente a grande maioria dos modelos fundacionais de ponta, infraestruturas corporativas e clusters computacionais especializados em todo o mundo. Hulio argumentou que governos estrangeiros deveriam encomendar, financiar e manter seus próprios modelos soberanos capazes de operar com segurança dentro das fronteiras domésticas, isolados de intervenções regulatórias extraterritoriais, controles de exportação ou mudanças de diretrizes corporativas.
A posição reflete uma transição mais ampla no setor de ciberdefesa, onde o aprendizado de máquina avançado está cada vez mais integrado tanto à proteção defensiva de redes quanto a operações ofensivas de inteligência. Hulio sustentou que nações sem modelos soberanos dedicados verão seus serviços essenciais, órgãos de aplicação da lei e sistemas de defesa vulneráveis a interferências externas ou a interrupções abruptas de serviços durante crises geopolíticas.
## Por que isso importa
A corrida pela inteligência artificial soberana traz profundas implicações geopolíticas, econômicas e tecnológicas. Quando um Estado-nação depende de provedores comerciais de nuvem sediados em outra jurisdição, suas operações institucionais mais sensíveis — incluindo análise de inteligência classificada, registros de saúde, administração tributária e planejamento de defesa — ficam sujeitas a marcos regulatórios fora de sua autoridade direta. Sob precedentes jurídicos dos Estados Unidos, como a lei Clarifying Lawful Overseas Use of Data Act (CLOUD Act) de 2018, agências federais de aplicação da lei podem obrigar empresas de tecnologia norte-americanas a fornecer dados armazenados em seus servidores, independentemente de esses dados estarem dentro ou fora das fronteiras dos Estados Unidos.
Além disso, a independência computacional determina a capacidade de uma nação de suportar realinhamentos geopolíticos. À medida que Washington endurece as restrições à exportação de microchips de ponta — como as unidades de processamento gráfico avançadas produzidas pela Nvidia e pela AMD —, nações estrangeiras correm o risco de serem atingidas por súbitas restrições de fornecimento. Se uma administração carece de infraestrutura computacional doméstica e de modelos fundacionais nativos, sua capacidade de automatizar a infraestrutura pública, operar defesas cibernéticas e impulsionar a pesquisa pode ser restringida unilateralmente.
Para os mercados corporativos e cidadãos, as iniciativas de IA soberana também moldam diretamente a aplicação regulatória. O Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados (GDPR) da União Europeia e a recém-ratificada Lei de Inteligência Artificial da UE impõem obrigações rigorosas quanto à governança de dados, transparência e transferências transfronteiriças de dados. Depender de modelos centralizados e proprietários, cujos conjuntos de dados de treinamento e mecanismos de alinhamento são tratados como segredos comerciais corporativos, complica o cumprimento das normas por órgãos públicos. Desenvolver modelos domésticos oferece aos governos uma maneira de treinar sistemas em línguas locais, aderir rigorosamente às leis de privacidade nacionais e evitar vieses culturais ou operacionais embutidos em modelos treinados predominantemente em dados norte-americanos.
## Contexto
A projeção de Hulio na política internacional de defesa e tecnologia decorre de sua atuação na NSO Group, que ele fundou em Herzliya, Israel, ao lado de Omri Lavie em 2010. A empresa tornou-se mundialmente famosa — e severamente criticada — por seu software carro-chefe, o Pegasus. O Pegasus é uma ferramenta de invasão sem clique (zero-click) capaz de se infiltrar secretamente em smartphones modernos com as plataformas Apple iOS e Google Android, extraindo mensagens, gravando chamadas telefônicas e ativando microfones e câmeras sem exigir interação do usuário.
Embora a NSO Group sempre tenha afirmado que licenciava o Pegasus exclusivamente para agências de inteligência e de aplicação da lei verificadas para combater o terrorismo e o crime organizado, investigações internacionais expuseram abusos sistêmicos. Em julho de 2021, o Pegasus Project — uma colaboração que envolveu a Anistia Internacional, o Citizen Lab e mais de 80 jornalistas de 17 organizações de mídia — revelou que governos autoritários e democráticos usaram o software contra jornalistas, dissidentes políticos, advogados de direitos humanos e diplomatas estrangeiros. Revelações subsequentes expuseram infecções em telefones de altos funcionários europeus, incluindo o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, e o presidente francês, Emmanuel Macron.
As consequências foram severas. Em novembro de 2021, o Departamento de Comércio dos Estados Unidos incluiu a NSO Group em sua Entity List, restringindo as empresas norte-americanas de vender hardware, software ou componentes técnicos para a companhia. Gigantes da tecnologia também retaliaram na Justiça federal: o WhatsApp, subsidiária da Meta, moveu uma ação federal marcante na Califórnia em outubro de 2019 alegando acesso não autorizado aos seus servidores, seguida por um processo semelhante movido pela Apple em novembro de 2021.
Hulio deixou o cargo de diretor-executivo da NSO Group em agosto de 2022 durante uma grande reestruturação interna que resultou na demissão de cerca de 100 funcionários. Pouco depois, Hulio voltou seu foco para a tecnologia defensiva, associando-se ao ex-chanceler austríaco Sebastian Kurz para lançar a Dream Security. A empresa sediada em Tel Aviv foi fundada com o objetivo declarado de utilizar inteligência artificial para proteger infraestruturas críticas, municípios e sistemas corporativos contra ciberataques, ilustrando a guinada contínua de Hulio em direção à convergência entre aprendizado de máquina e segurança estatal.
Simultaneamente, o conceito de "IA soberana" ganhou força em capitais mundiais. O presidente francês, Emmanuel Macron, tem defendido repetidamente a autonomia digital europeia, injetando recursos estatais em referências francesas de inteligência artificial como a Mistral AI. No Oriente Médio, os Emirados Árabes Unidos lançaram seu modelo de código aberto Falcon por meio do Technology Innovation Institute em Abu Dhabi, enquanto a Arábia Saudita direcionou alocações de fundos soberanos para centros de computação apoiados pelo Estado. Os comentários de Hulio alinham-se a esse consenso emergente entre potências médias.
## Reação
As intervenções de Hulio atraem inevitavelmente o escrutínio devido ao seu histórico na vigilância comercial. Organizações da sociedade civil, defensores de direitos digitais e pesquisadores de segurança cibernética historicamente críticos da NSO Group frequentemente veem conselhos de seus ex-líderes com profundo ceticismo. Críticos costumam argumentar que personalidades com histórico em espionagem cibernética ofensiva poderiam usar justificativas de segurança soberana para legitimar contratos financiados pelo Estado para tecnologias de inteligência proprietárias e opacas, com o mínimo de supervisão pública.
Dentro dos setores de defesa e inteligência, no entanto, o diagnóstico de Hulio encontra respaldo entre planejadores estratégicos que alertam há anos sobre a dependência operacional de softwares comerciais estrangeiros. Ministérios da defesa na Europa e na Ásia manifestaram crescente inquietação quanto a hospedar dados de missões operacionais em plataformas de nuvem de hiperescala de propriedade estrangeira, mesmo quando essas plataformas oferecem partições de "nuvem soberana" localizadas.
Corporações norte-americanas de tecnologia responderam ao movimento da IA soberana tentando localizar suas operações. Empresas como Microsoft, Amazon Web Services e Alphabet lançaram perímetros regionais dedicados de nuvem na Europa e firmaram parcerias com operadoras locais de telecomunicações para oferecer hospedagem localizada. Contudo, esses arranjos não resolveram totalmente as preocupações políticas quanto ao alcance legal definitivo do governo dos Estados Unidos sobre as empresas controladoras.
## O que ainda não se sabe
Questões operacionais e técnicas relevantes continuam sem resposta sobre a proposta de Hulio. A reportagem de Jean Leon não detalhou as estruturas técnicas precisas, os modelos de licenciamento ou as estratégias de fornecimento de hardware que Hulio recomenda aos Estados que buscam inteligência artificial soberana. Como a fabricação de hardware de ponta — especificamente semicondutores avançados produzidos pela Taiwan Semiconductor Manufacturing Company (TSMC) — permanece concentrada em poucas instalações globais, a genuína independência de infraestrutura segue extraordinariamente difícil de ser alcançada por qualquer nação de forma isolada.
Além disso, permanece incerto se a defesa de Hulio é puramente analítica ou tem a intenção de preparar terreno comercial para seu empreendimento atual, a Dream Security, ou para potenciais empresas de consultoria futuras. O nível em que governos estrangeiros específicos estão consultando ativamente ex-executivos de vigilância sobre estratégias de inteligência artificial soberana não foi documentado publicamente, mantendo uma lacuna entre recomendações teóricas de políticas públicas e contratos reais de compras governamentais.
## O que observar
A evolução das estratégias de IA soberana será moldada por decisões regulatórias, comerciais e diplomáticas nos próximos anos. Observadores devem acompanhar licitações estatais abertas por potências médias e Estados-membros da União Europeia para centros soberanos de computação de alto desempenho e modelos fundacionais domésticos.
Os principais indicadores da trajetória da IA soberana incluem: - Acordos bilaterais de computação e hardware: Se nações fora dos Estados Unidos e da China conseguirão garantir alocações de hardware de semicondutores avançados, apesar do aperto nas restrições de exportação e dos gargalos nas cadeias de suprimentos. - Integração de IA à defesa nacional: O grau em que ministérios da defesa formalizarão orçamentos para o desenvolvimento doméstico de IA, em particular em Israel, na União Europeia, no Reino Unido e nos países do Golfo. - Desdobramentos legais sobre dados extraterritoriais em nuvem: Futuras contestações judiciais envolvendo a CLOUD Act dos Estados Unidos e as regras europeias de soberania de dados, que testarão se parcerias comerciais híbridas atendem aos padrões legais de autonomia nacional.
Esta reportagem foi baseada em apuração de Jean Leon.
Fonte: Jean Leon

